Deusa da Beleza


Ontem eu a vi
Não sei por que, mas não resisti e mexi
Princesa de ébano, Deusa da beleza
Mas como alguém da realeza
Ela me xingou, fez cara feia e partiu
Com seu Black solto ao vento
Mais parecia Ângela Devis
No auge de sua negritude e juventude
Talvez fosse um pouco mais rude
Mas tão bela quanto
A olhei de canto
E fiquei pelo meio do caminho
Assistindo ela sumir na esquina seguinte
Sentindo-me um pedinte
Aquela pele negra banhada pelo sol
Ficou no pensamento
Noutro dia a encontrei no centro
Sorrindo aos beijos com um gringo
Que de tão branco transparecia
Então, finalmente eu entendi a magia da democracia
Democracia racial se faz assim
Negros e negras se evitando mutuamente
Eliminando precocemente a possibilidade de novas sementes
Que bela democracia!
Que droga de poesia!
Estamos todos vendo o mundo pelo olhar do dominador
Ontem por servidão
Hoje por opção

Por: Prettu Júnior