Em outra ocasião eu já havia falado em um código silencioso vigente nessa sociedade que supõe-se civilizada. Claro que não é, e todos sabemos disso, mas até ai nada novo. Muitas sociedades no mundo também vivem de sofismos, lubridiações técnicas e mentiras elaboradas por suas elites para perpetuar-se no poder. A idéia de civilização é dúbia e não rara é uma falácia estúpida de quem visa basicamente se auto-afirmar. Os povos ocidentais sempre reivindicaram para si essa pseudo civilidade mesmo quando invadiam, massacravam e escravizavam milhares de seres humanos, mesmo quando não passavam de um bando de carniceiros sem ética, estuprando mulheres e crianças em aldeias remotas de algum país africano. Ser civilizado no fundo é um código de conduta imoral por vezes genocida que permite ao pseudo homem, matar, estuprar e não raro massacrar outros povos a quem são negados o tal status de civilizado. O Brasil é um caso curioso e complexo. Para entender nossa sociedade é necessário entender os elementos que a compõe. Negros, índios europeus e uma minoria de asiáticos entre outras etnias. Todas essas etnias exceto a européia não possuem representatividade política na nossa sociedade. Pergunta inevitável, por quê? Porque não somos uma democracia, não somos e nem queremos de fato o ser. O euro-brasileiro esta satisfeito com o seu status quo bem resolvido, maioria em qualquer instituição onde há dinheiro e poder. O código do silencio que permeia as relações étnico/ raciais no Brasil os deixa confortáveis em suas posições, pois ninguém os questionara impunemente. No menor esboço de um questionamento a tropa de choque leia-se mídia entra em ação. A mídia funciona como a mediadora máxima que determina até onde se pode questionar a legitimidade ou a legalidade das ações relevantes para as elites financeiras e políticas não coincidentemente brancas desse país. Um médico brasileiro que vive e trabalha em Portugal chamou essa reação de GRITARIA num artigo em que apontou como alarmista a preocupação das entidades médicas desse país com a possível vinda de médicos cubanos para o Brasil com o intuito de trabalhar em medicina preventiva nos rincões distantes onde os burguesinhos dos grandes centros se recusam a prestar serviço mesmo com salários de até 30 mil por mês.Ver Link.
A questão a bem da verdade é meramente um pensar racista, xenófobo onde se afirmava que médicos não qualificados poderiam vir para cá, para servir a população pobre e pasmem eles temiam haver mortes e erros médicos. Putz! Até onde vai a hipocrisia humana meu Deus? E na ânsia para validar tal conduta deplorável chamaram o batalhão de choque que mais uma vez se fez presente, mentindo, omitindo e o que é pior de maneira grosseira. Qualquer cidadão com um mínimo de boa vontade pode pesquisar na internet e verá que os médicos cubanos são os melhores do mundo em medicina preventiva, isso mesmo melhor do mundo, enquanto a nossa tão saudosa medicina feita por filhinhos de papai majoritariamente esta lá atrás no ranking. É frustrante ver o quão baixo podemos chegar e saber que ainda hoje em pleno século XXI temos que conviver com cidadãos com mentalidade do século XIX moderando e norteando um debate em que se deveria discutir não a origem étnico/racial de um médico, não sua nacionalidade, mas quantas vidas poderiam ser salvas por esses profissionais de saúde num período x ou y. Não da pra esperar mais que isso de uma gente que viveu à custa de trabalho escravo por 388 anos ou será que podemos?

