Movimento Negro virtudes e contradições no Rio de Janeiro


Eu nunca fui muito de bater na negrada, pois já tomamos porrada de todo mundo, todo o tempo, que perder o meu tempo falando mau de um irmão preto é triste e desprazeroso. Também não curto hipocrisia, então, fudeu ou eu falo o que penso do movimento negro carioca ou eu compactuo com algumas atitudes que considero arcaica. Vamos lá então, a principio quero afirmar que minhas observações não é de caráter pessoal, mas sim de caráter impessoal por isso não citarei nomes nem apelidos. Ontem fui para marcha contra o genocídio da população preta, teve duas marchas uma foi na Rocinha e outra no centro da cidade, na central. Ai já começou a caozada a galera se dividiu por capricho ou luxo de alguns acho q não preciso citar nomes aqui né... Eu por uma questão de conveniência erro meu admito, decidi ir ao centro da cidade mais perto e de fácil acesso. Honestamente fiquei feliz por um lado e triste por outro. Vi uma galera jovem e militante com seus equívocos e acertos, mas todos dispostos a lutar. Vi também o mesmo erro de sempre grupinhos A B e C é sempre assim, como querem mudar o mundo se não conseguem mudarem a si mesmos, como querem atrair mais adeptos se não conseguem ter uma proposta inclusiva??? Desde que comecei minha militância lá pelos idos de 90 venho assistindo a mesma mentalidade se perpetuar no tempo e na memória. O mundo mudou, as gerações envelheceram, mas a mentalidade de uma boa parte desses que se dizem movimento negro permanece intocada até parece que são donos da negritude, generais guardiães do ser negro no Brasil. O negro favelado pobre sem saber cientifico não consegue se sentir negro porque ser negro para alguns é ser culto ou pelo menos parecer, é ter o cabelo crespo, é vestir roupas coloridas como se vestem em alguns países africano, tudo isso pra mim é muito superficial e segregador, as pessoas são como são e não é o cabelo A ou B que vai lhe trazer consciência ou dizer qual o grau de negritude que possui. É importante que conservemos em nós a memória dos nossos ancestrais, é importante que cultivemos nossa aparência natural, mas é muito mais importante que estejamos juntos independente de opções e razões. Sopra em nosso continente ares de mudança e nada mais natural que a mudança comece em nós que nós possamos ser cotidianamente a mudança que tanto almejamos para essa sociedade. Sociedade esta que nos oprimi, nos dilui e inferioriza com tanta violência que dificilmente conseguimos ter uma mente saudável. Cada um de nós desenvolve ou desenvolvera uma maneira peculiar de lidar com o constante assédio do racismo uns com maior destreza outros com mais dificuldade, mas somos todos filhos do nosso tempo e por isso não cabe uns se julgarem mais que os outros por ter cabelo mais enraizado, por ter o turbante mais estilizados, por ser mais “politizado” ou por qualquer outra razão. Enquanto nos dividirmos em superficialidades idiotas não alcançaremos os nossos objetivos. Só pra fechar esse texto gostaria de saber onde é a sede do Movimento Negro no rio, pois um cidadão parou e me perguntou por que queria se incluir na luta, o nome do cidadão é Luiz Sá ele não é universitário e mora na baixada fluminense em uma comunidade, não sei se ele esta dentro do perfil que historicamente se tem buscado. Enfim igual a este cidadão existem milhares de outros que gostariam de participar da luta, mas não conseguem por não terem uma escolaridade que lhe permita ter um emprego que possa usar dread looks ou tranças nagô etc. Acredito que o momento é de reflexão, é tempo de repensar nossos valores, é tempo de reinventar o que é ser negro no Brasil.
Por: Prettu Júnior