Carolina Maria de Jesus e a hipocresia do movimento negro



Qual a primeira coisa que lhe vem a mente quando falam em Movimento Negro? Pare! Pense um pouquinho e responda para si mesmo em voz baixa. Por mais que não seja educado eu vou externar meus pensamentos nessa lauda, pois a muito isso tem me incomodado. Um certo dia estavamos eu e um amigo meu, num evento do Movimento Negro, no Rio. Estavamos espondo algumas camisetas do nosso projeto e até ai ninguém estranhou, uns pretinhos vendendo camisetas. Porém alguém teve a infeliz ideia de me chamar para ir ao mecrofone falar sobre o nosso projeto e aproveitar que era 20 de novembro dar a minha opinião como militante e articulador social. O espanto foi tanto que o rapaz teve que intervir dizendo: Calma pessoal ele é bom. Claro eu não recuei, fui lá e dei o meu recado, sem o menor constragimento, porém aquela atitude
daqueles negros e negras nunca mais saiu da minha cabeça. A sensação que eu tive ali é que eles com base em algum estereotipo chegaram a conclusão que eu não estava apto a falar em publico, ou pelo menos não pra eles, negros embranquecidos. Os anos se passaram, fiz minhas andanças, cometi erros e acertos e cheguei a um ponto da minha vida que me considero um homem maduro. Na caminhada até aqui descobri muitas particularidades dos movimentos de negritude no brasil e uma delas, talvez a mais importante, é que todos esses negros gabineteiros no fundo querem ser branco. É isso mesmo. Eles reproduzem valores eurocentricos com a mesma destreza com que destroem os sonhos dos neguinho da favela. Ser chique para essa gente é ser o mais próximo de um senhor de engenho possível. Não meus amigos eles não querem a emancipação do seu povo, não querem o fim do racismo, afinal é por causa dessas mazelas que eles tem um emprego. Por isso não sofro com o fato de não ter aprendido a história dos meus opressores, todavia me orgulho de saber e muito bém a história do meu povo. O meu conhecimento, sempre veio do mesmo lugar, os livros. Por isso afirmo, não me perguntem o meu grau de instrução, mas quais livros eu li. Agora estou as voltas com meu novo livro, um romance. Quando conclui a ultima linha orgulho me peguei pensando em Carolina Maria de Jesus a maior escritora para brasileira pura e simplesmente. Adoro. Imagine você por um único momento se ela ainda estivesse viva ou se fosse dessa época. Conseguem imaginar como seria? Eu consigo. No seu auge esses negros chapa branca a abraçariam, beijariam e cultuariam com todo fervor do mundo, no seu declinio a desprezaria como fizeram os brancos da sua época. No entanto e infelizmente ela não vive entre nós, por isso mesmo pode ser cultuada livrimente
por esses hipocritas sem ética. Em alguns momento me sinto parte da história dessa mulher que foi grande em todos os sentidos, sem falsa modéstia ou prepotencia e principalmente sem comparações pois ela é incomparavel. Falo porque da mesma maneira que ela foi buscar ser o que não estava reservado para ela, eu tanto anos depois busco o que deveria ser impossivel para um homem negro de horigem humilde. Contar a sua própria história.



Por: Prettu Júnior

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