E mais uma vez os pretos dançaram



 Antigamente, mais muito antigamente mesmo reis, príncipes, princesas e afins quando queriam se divertir mandavam chamar o bobo da corte que era uma espécie de palhaço faz tudo. Dançava, contava piadas, fazia malabarismo e tudo o que fosse necessário para entreter o rei e sua corja de folgados. Dizer que Olodum, Ilê Aiyê, filhos de Gandhy e Timbalada se tornaram os bobos da corte do carnaval baiano seria uma atitude irresponsável da minha parte, agora dizer que a ala branca do axé music baiano os tem feito de palhaço não é nenhum exagero.   A piada inclusive é o fato de que o que esta se passando no carnaval baiano também esta acontecendo hoje nos blocos do Rio de Janeiro, mas por incrível que pareça isso já aconteceu com o samba carioca e as agremiações num passado não tão remoto. A história já é conhecida de todos é sempre do mesmo jeito. Primeiro chega um rapaz branco bem vestido com um carrão e uma pretinha deslumbrada a tira colo, o bom moço, meio beberrão, bom de onda e boa praça logo cai nas graças dos negões ávidos por mulheres brancas, dinheiro e reconhecimento. O resto da história todo mundo já conhece o mauricinho come as neguinhas todas, aprende a batucar, começa a caminhar com as próprias pernas e logo esta falando em nome da negada. O fim é o mesmo de sempre parece até um conto de fadas.  Nesse panorama onde idiotas, beberrões, mal carateres, picaretas, oportunistas, cafetões, políticos, bandidos, patricinhas e mauricinhos se confundem a cultura de um povo é relegada o segundo plano quando não esmagada pela especulação sem limites.  Ano passado estávamos aqui no Face Book curtindo o Afódromo do não menos” inocente” Carlinhos Brown. A Bahia se parece e muito com o Rio de Janeiro até por ser uma cidade litorânea. Outro aspecto que aproxima Rio de Janeiro e Bahia é o fato de se ter uma maioria preta legitimando uma minoria branca. Ambos os estados tem uma elite branca racista na política que manda e desmanda e só permitem em seus pseudo-s partidos de direita ou de esquerda, candidatos que se auto declaram brancos.   O critério para definir quem é ou não elegível é dúbio como dúbia é a interpretação da constituição que não permite tal fato, mas quem são os zeladores da constituição? Quem são os responsáveis por fazerem cumprir a lei?               Quem faz as leis? Essas perguntas nem precisam serem respondidas por que até o mais humilde dos cidadãos já sabe de cor . O assunto é carnaval, mas também é político no mesmo momento em que o Sr. Rodrigues do Olodum critica a multimídia Ivete Sangalo o cineasta norte americano Spike Lee faz duras criticas a composição política da Bahia o que logo pode ser lido como Brasil por que no fundo é assim que é, nós negro não somos elegíveis só eleitores e por isso temos tanta dificuldade em encontrar respaldo para as demandas de nossas comunidades no poder publico.  A idéia é essa mesmo nunca dar poder a preto e se tiver que contemplar uma demanda especifica em algum momento vão escolher um grupo que passara a representar aquela comunidade junto ao poder publico leia-se branco, e não demorara este grupo ou instituição começara a lutar ao lado do poder vigente e contra a comunidade.  Nada disso é surpreendente, pois aqui se naturalizou a falta de ética tanto na política como nos canais de TV, nos meios populares e na academia tanto que noutro dia o diretor de jornalismo da Globo o Sr. Ali Kamel disse: Se o movimento negro tivesse um herói, esse herói deveria ser Gilberto Freyre” ignorando assim o maior herói nacional. O pseudo intelectual na sua soberba branca ignorou completamente Zumbi dos Palmares cujo busto na praça onze da uma dimensão da sua importância, o único herói popular de uma nação cujo o patriarca da independência não passava de um colonizador europeu.
Por: Prettu Júnior