Completa hoje 125 anos de uma abolição feita moda
a caralho que mais libertou os brancos senhores de engenho do que os negros. Os negros saíram das senzalas para ocupar os morros e encosta das cidades, deixou de ser escravo de um senhor para se tornar escravo de um sistema racista. Nesse sentido é ainda mais grave que depois de tanto tempo ainda estejamos desmobilizados e divididos lutando lutas individuais. Há anos tenho visto a degradação dos Movimentos Negros. Os movimentos negros ou de negritude se preferirem, historicamente pautaram suas lutas na valorização da cultura da diáspora, a saber, toda e qualquer manifestação típica dos povos africanos escravizados fora de África. Ao longo de séculos de negação, exploração e violência os vários grupos sociais pretos encontraram formas próprias para se fazer ouvir, seja com o maracatu, o samba, a capoeira, o jongo, o axé, o hip hop e outros, falando especificamente de uma realidade brasileira. Durante muito tempo vivenciamos essas praticas isolados, clandestinos, calados, ocultos nas penumbras de uma sociedade desumana. Quantas vezes não fomos motivos de chacotas quando não espancados por cantar, batucar, dançar nossa tão rudimentar manifestação cultural. Pois bem o tempo passou, o mundo deu voltas e aqui nesse cantinho do planeta as mentalidades continuam intocadas em suas reles convicções desatualizadas. Em varias partes do planeta já se discute os rumos de uma sociedade planetária, global e diversa enquanto nós aqui ainda buscamos nos afirmar como seres humanos dignos. Buscamos a sensibilidade daqueles que sempre nos negou a humanidade plena. Tem algo errado nessa história, tem algo de muito errado nesse caminho que tomamos em algum lugar no tempo e na memória. A essência não morre o que morre são os atores seja de morte morrida, ou seja, ideologicamente. Nesse contexto o que não falta nos dias de hoje são “Zumbis” (no sentido vulgar da palavra) em algumas instituições que deveriam ser um foco de resistência o que mais se tem visto é uma vergonhosa cabine de emprego. Vide esse edital cultural que acaba de sair, feito as pressas, sem uma analise previa das necessidades das pessoas que seriam beneficiadas, tudo para pura e simplesmente calar a boca de um ou outro desbocado que não aceita essa co-relação Movimento Negro /PT ou que diz que a nossa excelentíssima presidenta não esta corroborando com as lutas do povo preto e indígena. Pra mim esse edital feito assim, moda a caralho, é tão somente para contemplar essa emergente classe média preta minimamente politizada capaz de criar dificuldade na reeleição da presidenta. O que entendo ser mero alarmismo, pois a classe média preta brasileira não passa de um emaranhado de cidadãos subserviente a serviço do estado branco racista. Até agora que se sabe dessa gente toda, é que buscam embranquecer-se o mais que puderem se misturem até serem engolidos ou confundidos com brancos. Fogem de si mesmo como o diabo foge da cruz. O cenário esta triste se pararmos para analisar os vários movimentos que historicamente foram pautados pela luta em defesa das populações pobres não coincidentemente pretas desse país. Veremos que o movimento cultural que sempre foi uma força eminente nessa luta esta completamente corrompido, sem foco e o que é pior hoje defende o ponto de vista dos brancos de classe média, aqueles que historicamente marginalizaram tais movimentos. Quando falo movimento cultural podemos entender Capoeira, hip hop, Samba, Maracatu e tudo mais que os negros criaram e que hoje serve aos caprichos de uma burguesia racista e ávida por lucros e reconhecimento. Acredito que quando você sai em busca dessa tal institucionalização o preço a ser pago é deixar de ter opinião própria e passar a reproduzir o discurso dessa ou daquela instituição. Nesse contexto tenho visto inúmeros irmãos de luta ou ex-irmão de luta defendendo idéias antagônicas as que defendiam tempos atrás. Para os brancos eles evoluíram, para a tiazinha lá do Jacarezinho eles embranqueceram, o que no fundo entendendo essa sociedade como sendo uma extensão dos valores eugenistas de pseudo-s intelectuais do século 19 e 20, é tudo a mesma coisa. Hoje vejo muita gente do hip hop se dizendo contra as cotas e defendendo políticas claramente sanitaristas. Pra mim que sempre vi o hip hop como um embrião revolucionário é quase que um tiro no ouvido, mas são sinais dos tempos. A luta tende a acirrar-se e muito dos que se diziam convicto do lado que estão, vão mudar de lado alias conheço alguns que já mudaram. As cartas estão postas a mesa agora é jogar o jogo e ver no que vai dar.
Por:
Prettu Júnior
